Gostaria

gostaria de nunca ter-lhe conhecido
que aquela noite nunca tivesse amanhecido
que nesse distanciamento houvesse algum sentido
e sua indiferença, nunca me atingido

gostaria de ser sincero ao desejar lhe esquecer
ao afirmar que nunca mais vou-lhe ver
e de não ter sempre coisa última a dizer
de não me menosprezar julgando não te merecer

gostaria que como busco a sua, buscasse minha companhia
que comigo compartilhasse medo, sonho, loucura e até fantasia
que me deixasse salpicar diversos lindos versos em sua poesia
ser seu aconchego, porto-seguro e, nas dificuldades, alforria

gostaria que não fosse toda a fonte da minha inspiração
de não cavucar, arrancando sangue, as feridas em cicatrização
que nunca tomasse meu derrame por finas gotas de precipitação
e que fôssemos sempre abertos, sem jogos de adivinhação

gostaria que, independente de qualquer coisa
fosse feliz
mesmo se comigo
ficar nunca quis

_2015

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escrevo — visto que morrer soa assaz trágico e apodrecer é algo físico

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Renato Magalhães Rocha

escrevo — visto que morrer soa assaz trágico e apodrecer é algo físico