Lua no rio

quando
— após tanto vagar —
nas suas águas escuras
veio um astro se banhar
hipnotizado fitou
tal brilho o adentrar
que sequer cogitou
seus olhos elevar

esperançoso e iludido
deixou-se acreditar
que regras cósmicas
— aturdido! —
podia burlar
e que com seu rio
— louco varrido! —
exibindo belo luar
a lua estava
— quem sabe? —
a flertar

a si voltou
após duro trovejar
e foi então que distante
de relance
e fora do seu alcance
silente notou
celestial par

a lua cheia
nupcial e reluzente
com o misterioso firmamento
estava a namorar
ainda testemunhou
em cacos e descrente
esplendoroso casal
a-pai-xo-na-da-men-te
mil carícias trocar

vão e inútil
seu tolo devaneio
pois o tal amor
que o pegou
em cheio
atingindo-o
bem
no
meio
nunca passou
do reflexo do brilho
de um amor
até então oculto
e que lhe era
inteiramente
alheio

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escrevo — visto que morrer soa assaz trágico e apodrecer é algo físico

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Renato Magalhães Rocha

Renato Magalhães Rocha

escrevo — visto que morrer soa assaz trágico e apodrecer é algo físico

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